Trump publica vídeo com teoria da conspiração eleitoral que mostra os Obamas como macacos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na quinta-feira (5) um vídeo com uma teoria da conspiração sobre as eleições que retrata o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle como macacos, o que provocou a condenação de vários líderes democratas.
Ao final do vídeo de um minuto, publicado na plataforma Truth Social de Trump, os rostos dos Obamas aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por cerca de um segundo.
A canção "The Lion Sleeps Tonight" toca ao fundo quando o casal Obama aparece.
O vídeo repete alegações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems ajudou a roubar a eleição de 2020 de Trump.
O vídeo recebeu milhares de 'likes' nas primeiras horas de sexta-feira na rede social do presidente.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, potencial candidato democrata à presidência em 2028 e crítico veemente de Trump, condenou a publicação.
"Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora", publicou a conta do gabinete de imprensa de Newsom na rede social X.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também condenou as imagens.
"Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história", escreveu no X.
Obama é o único presidente negro na história dos Estados Unidos e apoiou a rival de Trump, Kamala Harris, na disputa eleitoral de 2024.
- Imagens de IA -
No primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca, Trump intensificou o uso de imagens geradas por Inteligência Artificial na Truth Social e em outras plataformas, muitas vezes para celebrar seu nome e tentar ridicularizar seus críticos.
O presidente americano utiliza publicações provocativas para mobilizar sua base conservadora.
No ano passado, Trump publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo detido no Salão Oval e aparecendo atrás das grades, vestindo um uniforme laranja de detento.
Alguns meses depois, ele publicou um clipe produzido por IA de Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes — que é negro —, com um bigode falso e um chapéu.
Jeffries classificou a imagem como racista.
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump é alvo de críticas dos opositores por liderar uma campanha contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
Uma das primeiras medidas do segundo governo Trump foi encerrar todos os programas de DEI do governo federal, incluindo políticas de diversidade dentro das Forças Armadas.
A medida para acabar com o que Trump chamou de iniciativas "woke" também levou à retirada das bibliotecas das academias militares de dezenas de livros que abordam a história da discriminação nos Estados Unidos.
Os programas federais americanos de combate à discriminação nasceram da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, um movimento a favor de igualdade e justiça após centenas de anos de escravidão, cuja abolição em 1865 deu lugar à imposição de outras formas institucionais de racismo.
R.Lacroix--LCdB