Petro defende transição da petroleira estatal da Colômbia para energias limpas
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou, nesta quinta-feira (5), que a principal empresa petrolífera estatal do país "deve fazer a transição [...] para as energias limpas", após a publicação do relatório de resultados da companhia de 2025, que apontou uma queda de 39% em seus lucros.
Os lucros líquidos da Ecopetrol sofreram o terceiro ano consecutivo de queda e registraram seu nível mais baixo desde a pandemia, totalizando, 2,4 bilhões de dólares em 2025 (aproximadamente R$ 13 milhões, na cotação da época), em meio a uma baixa nos preços internacionais do petróleo.
Petro, que frequentemente alerta a comunidade internacional sobre os riscos das mudanças climáticas, defende "fazer a transição" da petroleira estatal, reduzir sua "atividade fóssil" e aumentar o investimento em energias limpas, em uma mensagem publicada nesta quinta-feira na rede X.
"Os 78% da queda dos lucros se explicam pela redução do preço do Brent", petróleo de referência para a Colômbia, disse à Caracol Radio o presidente da Ecopetrol, Ricardo Roa.
O presidente colombiano alega que a guerra desencadeada no Oriente Médio pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã fará subir o preço internacional do petróleo, embora "depois volte a cair".
Mas a queda do Brent em 2025 é apenas um dos vários fatores que influem na crise da estatal, disse à AFP Óscar Vanegas, professor da Universidade Industrial de Santander especializado em finanças petrolíferas.
O especialista aponta uma "má administração da empresa", que não tomou medidas para otimizar seus "custos de operação" e, assim, "compensar" os baixos preços internacionais do petróleo bruto.
Petro anunciou, no fim de 2024, que deixaria de assinar novos contratos de exploração petrolífera e destinou cerca de 40 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 247 bilhões, na cotação da época) para investir em projetos de energias limpas.
Também sugeriu encerrar a participação da estatal em projetos no exterior, como um campo petrolífero no Texas, onde a Ecopetrol compartilha operações com a americana Oxy.
Envolver a Ecopetrol "em energias alternativas é um erro", sustentou Vanegas, alegando que "não são rentáveis". A Colômbia é "um Estado pobre, que não tem recursos para subsidiar essas energias", acrescentou.
A Ecopetrol é a principal empresa da Colômbia. Sua receita representa 15% do orçamento anual do Estado, segundo Vanegas.
V.Renard--LCdB