Termina protesto que deixou mais de 150 navios parados em portos argentinos
Mais de 150 navios de carga ficaram parados desde o fim de semana nos portos mais importantes do sistema de transporte fluvial e marítimo da Argentina, devido a um protesto de práticos, profissionais que manobram as embarcações, em repúdio a mudanças de regulamentação.
O conflito foi resolvido na tarde desta terça-feira (4), após o governo argentino concordar em "suspender a aplicação do decreto de desregulamentação do serviço de praticagem", informou o gabinete do presidente Javier Milei.
"O governo nacional fechou um acordo com os representantes do setor de praticagem que inclui uma redução de 20% nas tarifas e o restabelecimento dos trabalhos de assistência à navegação de navios", detalha o comunicado.
As embarcações estavam fundeadas desde domingo nos rios da Prata e Paraná, os dois acessos e canais de navegação do comércio exterior argentino, onde ficam os portos por onde passam cerca de 80% das exportações do país, segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR).
Os protestos começaram após a publicação de um decreto que substituía a regulamentação para a atividade de praticagem e pilotagem na Argentina.
Entre outras mudanças, o decreto determinava que, em alguns casos, os navios estrangeiros navegassem pelo sistema fluvial e marítimo argentino sem a necessidade de contratar os serviços de práticos, reduzindo os custos do frete.
O líder do Sindicato de Condutores Navais da República Argentina (Siconara), Fernando Ramírez, afirmou à AFP que o trabalho dos práticos é essencial "para a segurança da navegação", uma vez que eles têm "o assessoramento direto sobre a condução desses navios" que entram nas vias navegáveis principais e conhecem os rios para evitar acidentes.
Diante das complicações graves para a circulação das embarcações que transportam grãos, combustíveis e outras mercadorias, o governo pediu na manhã de hoje que os mais de 500 práticos retornassem ao trabalho.
Os representantes do setor concordaram em voltar e em cortar em 20% as tarifas do serviço. O governo prometeu suspender a aplicação do decreto.
As partes vão formar um grupo de trabalho "para analisar os diversos aspectos relacionados à atividade", a fim de revisar a desregulamentação, informou o governo.
O presidente da Câmara da Indústria Azeiteira Argentina (Ciara) e do Centro de Exportadores de Cereais (CEC), Gustavo Idígoras, afirmou que o custo econômico do protesto implicava "entre 50 mil e 100 mil dólares por dia" (R$ 255 mil e R$ 510 mil) por navio fundeado.
L.Dumont--LCdB