'A Espanha não é um país racista', diz Arbeloa após cânticos islamofóbicos em amistoso contra o Egito
"A Espanha não é um país racista" e é preciso evitar "generalizar", disse nesta sexta-feira (3) o técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, em relação aos insultos islamofóbicos dos torcedores espanhóis durante amistoso entre a 'La Roja' e o Egito há três dias, em Barcelona.
O cântico "quem não pula é muçulmano" e as vaias ao hino egípcio no Estádio Cornellà-El Prat, casa do Espanyol, foram condenados dentro da própria seleção espanhola e inclusive por Lamine Yamal, astro do Barça e muçulmano, que estava em campo e ficou visivelmente constrangido com a situação.
Esses incidentes provocaram indignação em toda a Espanha e motivaram a abertura de uma investigação pela polícia regional catalã.
Na quarta-feira, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, criticou a "minoria" de torcedores que "mancharam" a imagem do país.
Arbeloa falou sobre o caso na véspera do jogo do Real Madrid contra o Mallorca, pelo Campeonato Espanhol.
"A Espanha não é um país racista. Se fosse, teríamos incidentes todos os fins de semana em todos os estádios. Mas a nossa posição permanece a mesma: devemos erradicar todas as formas de comportamento racista nos estádios e na sociedade", declarou o treinador em entrevista coletiva.
"Somos um país muito tolerante e não devemos generalizar quando esse tipo de incidente acontece. Devemos continuar lutando com a mesma força para garantir que esses atos nunca mais se repitam, nem em campo, nem na sociedade", acrescentou.
O incidente islamofóbico em Barcelona é o mais recente de uma série de eventos semelhantes que têm marcado o futebol espanhol nos últimos anos. Em particular, o atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, já relatou diversas vezes ter sido alvo de insultos racistas.
A Espanha sediará a Copa do Mundo de 2030 em conjunto com Portugal e Marrocos, em torneio que também incluirá jogos na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.
De acordo com a imprensa espanhola, esse tipo de incidente pode afetar a organização da competição e a Fifa pode decidir realizar a final no Marrocos, e não na Espanha.
V.Nijs--LCdB