IA não pode substituir animais atores, diz diretor de filme com um cachorro como herói
Quando o diretor Robert Vince filmava "Air Bud Returns", surpreendeu-se ao ver Roscoe, seu protagonista de quatro patas, demonstrando preocupação em uma cena em que dois humanos começam a chorar.
"Ele sente curiosidade sobre o que está acontecendo. Isso é real", comentou Vince à AFP. Mesmo com mais de uma dúzia de produções estreladas por cães, ele ainda se impressiona com a "autenticidade" que os animais atores garantem nos sets de filmagem.
É um elemento "mágico" que, afirma, não poderá ser substituído pela IA.
"Você vê quanta alegria este cachorro e os atores humanos proporcionam?", disse Vince olhando para o golden retriever sentado ao seu lado, que, usando camiseta e tênis de basquete, acabara de atender fãs que passaram horas na fila para tirar fotos com a estrela.
O cineasta de 64 anos sustentou que toda inovação tecnológica inicialmente causa entusiasmo e curiosidade no público.
"Depois de um tempo é como: 'já vi isso' (...) Não há uma conexão humana".
A chave "realmente está na sua conexão emocional com os personagens (...) Há uma autenticidade nesse tipo de filmagem que não desaparece".
- "Totalmente cachorro" -
"Air Bud Returns", que deve chegar aos cinemas americanos em 2027, é um novo capítulo da franquia do lendário cachorro jogador de basquete iniciada em 1997.
Para Vince, que conversou com a AFP durante a convenção CinemaCon, em Las Vegas, a recepção do público ao filme foi "avassaladora".
"Não posso dizer que estou surpreso", acrescentou. "Sabemos pelas redes sociais que esse filme estava implorando para ser feito".
O cineasta afirmou que a alta demanda se deve ao fato de que "Air Bud Returns" é um "filme familiar por excelência" que marcou uma geração de crianças que agora são pais.
"Então há uma razão nostálgica e demográfica para fazê-lo agora".
Vince, que coescreveu, produziu e dirigiu o longa, destaca que, em um momento em que outras produções recorrem à tecnologia para incorporar animais virtualmente, "Air Bud Returns" evitou os efeitos especiais.
Roscoe, que interpreta o simpático Buddy, não apenas atuou, mas realmente jogou basquete: "Ele é totalmente cachorro, o tempo todo".
"Temos um público que cresceu com o filme original de Air Bud, no qual não havia CGI (imagens geradas por computador). Então mantivemos essa promessa neste filme também".
Justamente quando Hollywood observa com preocupação o avanço da IA — que atores e roteiristas temem poder eliminar empregos e impactar o trabalho criativo — Vince diz estar confiante de que, no fim das contas, a tecnologia será apenas uma nova ferramenta.
Responsável por uma empresa de efeitos visuais, o diretor afirma que as inovações na área servem para "enriquecer a história", e não para substituir humanos ou animais.
Na mesma linha se pronunciaram recentemente os organizadores do Oscar e do Globo de Ouro, que em suas novas regras estabeleceram que a IA é aceitável como ferramenta, desde que não substitua o fator humano no processo criativo.
"Não acredito que (a substituição) esteja acontecendo, e não acontecerá pelo menos por um bom tempo, ou talvez nunca", disse. "Você não extrai nenhuma emoção disso."
Z.Barbier--LCdB